Se existe uma coisa que o brasileiro sabe fazer muito bem na internet é descobrir em quais lojas virtuais é mais barato de comprar e normalmente são as do exterior.

Não é novidade alguma em dizer que a humanidade tem uma paixão meio que platônica por produtos importados, desde 1271, nas primeiras expedições de Marco Polo em busca de seda até os portugueses, em 1500, quando chegaram por aqui em busca de especiarias das Índias. As vezes a grama do vizinho parece sempre mais verde, já diz o velho ditado.

Aqui no Brasil, começamos a ter acesso ao “mundo dos importados” no final da década de 80, ainda durante o governo Collor, quando derrubamos o muro do protecionismo e nos abrimos ao mercado mundial. Foi uma euforia só, e quem não se adaptou e entendeu a nova era dos negócios, a Globalização, fechou as portas.

Um tanto quanto acostumados ao mercado mundial, na década de 90, surge algo que realmente revolucionou a vida dos brasileiros. Sim, estamos falando da Internet e todas as suas revolucionárias idéias: redes sociais, músicas digitais, troca de informações e comunicação em tempo real e, sim, as lojas virtuais.

As lojas virtuais tiveram um papel importantissimo na evolução do consumo brasileiro. Desde então, só conseguíamos comprar algum produto importado se houvesse alguma loja física por aqui ou em alguma viagem ao exterior, fato este que era restringido a uma minúscula parte da população afortunada brasileira. Bem, com a difusão da internet e o aumento de usuários, o Brasil figura entre os maiores países em quantidades de usuários, ocupando a quinta colocação.

O Brasil hoje, possui cerca de 88 milhões de usuários de internet, representando cerca de 45% da população. Estes dados são de 2012, mas acredita-se que este número já tenha passado dos 90 milhões de usuários em 2013.

Ranking Paises Internet

(Confira o ranking completo aqui: http://www.e-commerce.org.br/stats.php). 

 

E o que tudo isso tem haver com o “descobrir as lojas virtuais onde é mais barato comprar”? Tudo oras!

Com a abertura dos mercados e a disseminação da internet na população brasileira, ficou evidente para todos a percepção de que nossos produtos são exorbitantemente tributados. A facilidade em comparar preços de produtos entre lojas brasileiras e estrangeiras mostra a covardia e o atraso político e tributário que vivemos.

Os brasileiro gostou da experiência de comprar em lojas virtuais e isto está provado nos R$ 31,11 bilhões faturados pelo setor em 2013. Além disso, pegou gosto pelas compras em sites estrangeiros. Gastamos cerca de R$ 4,4 bilhões em compras em lojas virtuais estrangeiras, representando cerca de 14% do total faturado em 2013.

Muitas lojas estrangeiras, observando este crescimento, vem se adaptando ao mercado brasileiro. Algumas delas já disponibilizam seu conteúdo totalmente em português e seus valores convertidos para BRL (Reais). Outras também disponibilizam até atendimento online em português. Em alguns países como Estados Unidos, China, Inglaterra e Canadá as lojas recebem incentivos do governo para que possam aumentar suas vendas e, com isso, gerar mais empregos, circulação de dinheiro e todos os outros benefícios que o aumento de vendas trás.

Em viés a isso, o governo brasileiro tenta a todo custo freiar este crescimento. Sancionando leis, aumentando impostos e dificultando cada vez mais que os brasileiros tenham acesso a produtos com preços justos e aos comerciantes virtuais de terem um considerável aumento em suas vendas.

Tramita pelo Poder Executivo brasileiro um estudo para tributar da “melhor forma” as compras de conteúdos digitais (filmes, músicas e aplicativos) em lojas virtuais estrangeiras.

“A voracidade do Executivo e Legislativo em aumentar a arrecadação tributária é tão cega que não percebe o quão retrógrado seria tentar fechar nossas fronteiras virtuais para compra de produtos importados. É tapar o sol com a peneira. Querem nos levar de volta à Era pré-Collor. Não basta proteger o mercado, Governos Federal e Estadual tem que planejar e executar medidas que tornem nossas empresas mais competitivas. São elas que geram empregos e recolhem impostos locais.” (Mauricio Salvador, Presidente da ABComm)

 

Segue abaixo alguns absurdos que o Legislativo vem aprovando contra o comércio eletrônico brasileiro:

  • Lei 14.951/2013) no Estado de São Paulo que multa lojas virtuais porque os Correios não entregam produtos com hora agendada sem cobrar a mais por isso.
  • Projeto de Lei 250/2011 no Estado do Rio de Janeiro, que estabelece prazo máximo de entrega de compras online em dez dias úteis.
  • Projeto de Lei 5.179/2013, do Deputado Major Fábio, que obriga as lojas virtuais brasileiras a devolverem o valor em dobro para os consumidores, em caso de atraso na entrega.
  • Protocolo nº 21 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), onde os Estados signatários não reconhecem o valor do ICMS recolhido nos Estados onde se originam as vendas online e que não fazem parte do Protocolo, e tributam novamente o ICMS (Ex.: Recolhe-se 17% em São Paulo (origem) e mais 7% no Estado do Amapá (destino), sem compensação.

Nós já temos de combater a enorme concorrência internacional das lojas virtuais com preços mais atrativos e convidativos que os nossos por causa dos baixos impostos; nós temos de combater também o alto Custo Brasil, no qual, pagamos pela corrupção, burocracia burra, falta de infra-estrutura básica, mão de obra desqualificada, famigeradas e legislações tributárias mais que confusas e que se sobrepõem gerando imposto sobre imposto a cada transação comercial que é realizada.

Vivemos em um paradoxo entre um cenário totalmente positivo de aumento das vendas, procura e o aumento da penetração da quantidade de pessoas com acesso a internet contra um governo totalmente desestruturado, onde quer, a qualquer custo, tributar cada vez mais sua população sem gerar algum bônus a ela.

Não devemos desistir de fazermos a nossa parte e continuarmos nesta luta incessante. É a luta de Davi contra Golias que não devemos nos entregar jamais. Enquanto pudermos fazer a nossa parte nós iremos fazer.